Energia elétrica

SÃO PAULO SE PREPARA PARA AMPLIAR PARTICIPAÇÃO EM ÓLEO E GÁS


Com os investimentos previstos para São Paulo e a região da Bacia de Santos, o Estado pretende aumentar sua participação em petróleo e gás com o início da exploração e produção na região, afirmou Ubirajara Sampaio de Campos, subsecretário de petróleo e gás da Secretaria de Energia do Estado de São Paulo.

Os investimentos previstos em petróleo e gás no Estado de São Paulo até 2025 estão estimados em US$78 milhões, com foco em exploração e produção (E&P). Além disso, segundo o último plano de negócios da Petrobras, a estatal vai investir US$9,2 bilhões em E&P na região. Análises indicam que a maior parte dos investimentos no litoral serão direcionados a Baixada Santista e o Litoral Norte.

De acordo com o subsecretário, São Paulo já fornece boa parte dos bens e serviços da indústria de óleo e gás, mas agora passa a ter uma perspectiva de ter uma atividade de E&P que até então estava muito concentrada no Rio de Janeiro.

“Estamos aprendendo, interagindo com a indústria nacional e nos organizando para tentar dar fluidez e fazer com que essas oportunidades se materializem na indústria de São Paulo, para que possamos ampliar nosso setor produtivo e o envolvimento nessa cadeia. Estamos estudando também a experiência de outros países tanto na indústria do petróleo quanto de outras com alto grau de inovação e/ou altos investimentos”, comentou.

Ubirajara lembrou que hoje a indústria de petróleo e gás perfaz em torno de 10 a 12% do PIB e se esse ritmo de crescimento permanecer e for viabilizado, em 2020 vamos chegar a algo em torno de 20%. “São Paulo quer participar disso e internalizar as oportunidades que surgem”, ressaltou.

Em vista do crescimento das atividades de petróleo e gás no Estado, São Paulo iniciou sua atuação no setor em 2010 com a criação do Programa Paulista de Petróleo e Gás Natural (PPPGN), em resposta às recomendações feitas pela Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural do Estado de São Paulo (Cespeg).

De acordo com o PPPGN, com a confirmação de investimentos da Petrobras, construção naval, montagens e novos terminais portuários até 2025, o litoral paulista contará com 70.126 postos de trabalho na fase de implantação (petróleo e porto) e 47.115 na fase de operação.

Oportunidades para todo o país

Durante o painel Santos Offshore 2012, foram apontadas também algumas oportunidades geradas pela cadeia de petróleo e gás no Brasil, Luiz Fernando Mendonça, superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), indicou a criação de novas empresas, como a Sete Brasil; grandes contratantes energizam a cadeia de fornecimento; grandes empresas operadoras aumentam investimento no Brasil; grandes empresas operadoras se juntam para ampliar descobertas no país; inovação e o aumento da mão-de-obra qualificada.

O executivo apresentou o Programa de Desenvolvimento do Fornecedor Multifor, que tem por objetivo multiplicar os fornecedores de bens e serviços para a indústria do petróleo e gás no Brasil. “O programa instala um processo com foco em conteúdo local, alinha e dá sinergia para as ações em curso, mitiga riscos, potencializa resultados, oferece projetos concretos e permite a participação dos demandantes, de forma individual ou cooperativa, através de um modelo flexível de adesão”, explicou.

Já Alberto Machado, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), apresentou como perspectivas de desenvolvimento do setor no país, a criação de “clusters”, o desenvolvimento de nichos com vantagens comparativas e o uso do poder de compra/ maximização dos benefícios.

“Além disso, devemos observar os setores sinérgicos, usar o mercado local para o desenvolvimento, usar a demanda para alavancar o crescimento, buscar a diversificação dos mercados e da internacionalização e principalmente, pensar no mundo além do petróleo pois ele pode não acabar mas pode perder a importância econômica”, pontuou.

Segundo Machado, o estado de São Paulo sempre foi um grande fornecedor do setor para todo o país, mas nunca viveu a exploração do petróleo. “São Paulo possui uma das áreas mais promissoras de petróleo em todo o Brasil e precisa estar preparado para essa realidade”, destacou.


Fonte -TN Petróleo