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SOLARIZE: PRIMEIRO SISTEMA DE ENERGIA SOLAR É CONECTADO À REDE NO RIO DE JANEIRO


No dia 6 de agosto de 2013 foi conectado o primeiro sistema de energia solar à rede da concessionária Light no Rio de Janeiro. A instalação foi executada no telhado de uma casa residencial em Santa Teresa, onde se encontra também o escritório da empresa Solarize, empresa associada ao SINDISTAL, idealizadora do projeto. Com potência de 2kW, a previsão é de gerar, na média, 228kWh por mês, superando o consumo da casa em 40%. O excesso é injetado diretamente na rede da concessionária, gerando um crédito que pode ser usado à noite ou em até 36 meses.

O sistema foi organizado de forma didática com objetivo de facilitar a compreensão em cursos ou visitas técnicas. O projeto foi desenvolvido pelas empresas Solarize Serviços em Tecnologia Ambiental, junto com a Polo Engenharia, além de contar com apoio de Deloys, Econova, Eltek e GIZ.

Funcionamento:

O sistema consiste em um painel fotovoltaico de aproximadamente 13,5m², constituído por nove módulos com potência de pico de 235W. Eles geram energia elétrica em corrente contínua a partir da radiação solar. Fios levam a energia até o inversor de potência de 2kW que transforma a corrente contínua em corrente alternada de 220V. O inversor mantém sempre a sincronização com a rede. Por segurança, ele desliga a geração em casos de falhas, evitando assim perigo de choque em funcionários da concessionária que estejam trabalhando na linha (função chamada de “anti-ilhamento”).

A troca de energia entre o sistema solar e a rede é constante e dispensa baterias: quando há consumo dentro de casa, a energia é usada diretamente. Quando a geração é inferior ao consumo, a energia é completada pelo fornecimento da concessionária. Em caso de geração alta e baixo consumo há injeção de energia na rede. Um medidor bidirecional contabiliza a energia consumida e a injetada, permitindo formar um saldo de energia no final do mês.

Dimensionamento:

A residência selecionada para a instalação piloto apresenta um consumo médio mensal de 150kWh, por ter várias medidas de eficiência energética muito abaixo do comum para residências no mesmo padrão. A previsão da geração solar chega a 228 kWh por mês, portanto 40% acima do consumo. O sistema, portanto é superdimensionado financeiramente é mais interessante, pois fica abaixo do consumo do local, já que os créditos por energia injetada na rede são perdidos após 36 meses.

No entanto, os objetivos de ganhar experiências com um sistema de porte interessante e apresentar uma instalação de beleza arquitetônica pesaram mais que o financeiro.

Uma opção que evita a perda dos créditos é repassá-los a outra conta. Os donos da residência já procuraram projetos sociais com este intuito, o que deve acontecer em um segundo momento.

Histórico:

Em 17 de abril de 2012, a ANEEL publicou a resolução normativa 482, estabelecendo as condições para que qualquer pessoa física ou jurídica no Brasil instale um sistema de micro ou minigeração usando fontes renováveis, entre elas a radiação solar. Ela obriga as concessionárias a receber esta energia a partir de 13 de dezembro de 2012. Esta norma significa uma revolução para o mercado energético do Brasil: a geração até então concentrada em poucas e grandes usinas passa a ser distribuída pelo país.

Consumidores de energia elétrica viram fornecedores. O gargalo da transmissão é aliviado.
A revolução trouxe vários desafios: em primeiro lugar, as concessionárias precisam reformular seus processos e adequar sua infraestrutura provendo um fluxo inverso de energia.

Outro desafio é a inovação tecnológica. A energia solar, já muito difundida em outros países como Alemanha, Espanha ou Estados Unidos, ainda é incipiente no Brasil, apesar das condições climáticas extremamente favoráveis. Introduzi-la no Brasil significa montar uma cadeia de suprimento, desde material básico como cabos e dispositivos elétricos, até a importação de módulos fotovoltaicos e inversores específicos.

Além disso, é necessário disseminar conhecimento e chegar a uma solução adaptada à nossa realidade. A instalação piloto descrita neste documento usou o máximo de recursos locais e foi executada em cooperação próxima com a concessionária Light com objetivo de harmonizar normas e práticas tecnológicas.

Condução da instalação:

A instalação foi idealizada em novembro de 2012, com levantamento do potencial do local e elaboração do anteprojeto técnico. Após a divulgação dos procedimentos pela concessionária em dezembro de 2012 foi desenhado o projeto detalhado. A entrada formal na concessionária ocorreu em fevereiro de 2013.

A instalação incluiu as seguintes etapas:

– Adequação do ponto de acesso às normas vigentes da Light: o quadro de entrada da residência estava desatualizado, contando com chave de faca e fusível de cartucho. A atualização da instalação já era prevista há algum tempo independentemente da ligação do sistema solar.

– Instalação da base do painel solar: foi contratado um serralheiro que montou uma base de alumínio, partindo de práticas alemãs para telhados de barro. Diferenças na construção de telhados na Alemanha e no Brasil foram contornadas.

– Colocação do painel solar: os módulos foram posicionados em cima da base e fixadas com peças específicas. A ligação elétrica e o aterramento foram executadas simultaneamente em função da dificuldade de acesso após a instalação.

– Instalação elétrica: a conexão da fiação elétrica em cima do telhado ocorreu com cuidados especiais por causa da exposição a vento, chuva e radiação ultravioleta. Abaixo do telhado, a instalação da fiação não apresentava diferenças em relação a instalações comuns.

– Instalação do dispositivo de segurança: a norma da concessionária previa, obrigatoriamente, a instalação do Dispositivo de Seccionamento Visível (DSV), do lado de fora da propriedade. Ele permite ao funcionário desconectar a geração antes de efetuar
uma manutenção na rede.

– Comissionamento do sistema: como última etapa, a concessionária trocou o medidor comum por um modelo bidirecional. Ela testou se a função de anti-ilhamento do inversor estava funcionando e liberou a geração, momento tão esperado, no dia 6 de agosto de 2013.

Ao longo da instalação ocorreram várias visitas de técnicos e engenheiros da concessionária ao local para verificar e discutir detalhes do sistema piloto.

Primeiros resultados:

Embora a radiação solar que chega ao solo oscile pouco na média dos anos, ela varia muito de um dia para o outro, dificultando a comparação entre previsão e rendimento. As experiências durante as primeiras duas semanas confirmaram a estimativa, com geração entre 7,2 e 8,5 kWh em dias ensolarados do inverno carioca.

No site www.solarize.com.br será implantado o acesso online às medições do inversor. No mesmo site serão publicados regularmente resultados da geração.

Retorno financeiro:

O retorno financeiro do sistema pode ser calculado de diferentes formas. Uma é o retorno simples do investimento, estimado entre oito e dez anos. Uma outra forma divide o investimento ao longo da vida útil do sistema, que fica entre 30 e 40 anos, e o coloca em relação com a energia produzida. Por este cálculo, o sistema produz energia na mesma faixa de custo que a energia fornecida pela concessionária, a aproximadamente R$ 0,40 por kWh.

Conforme o mercado de energia solar cresça e o custo dos sistemas seja reduzido a valores praticados em outros países, se tornará expressiva a vantagem da energia solar. Na Alemanha, país com maior parque solar do mundo, gerar energia própria já ficou mais barato do que recebê-la da concessionária. Espera-se o mesmo para o Brasil, que conta com radiação muito superior, em curto prazo.

Confira a galeria de fotos:


Fonte -Fonte: Solarize