SANEAMENTO AVANÇA DEVAGAR


A universalização do saneamento básico, promessa recorrente em período de campanha eleitoral, ainda está longe de ser alcançada no país. A última edição da pesquisa do Instituto Trata Brasil, divulgada ontem, revelou que 61,52% do volume de esgoto gerado nas cem maiores cidades do país não passaram por tratamento adequado em 2011. O percentual representa um total de 3,2 bilhões de m3 de esgoto, o equivalente a um volume de 3.500 piscinas olímpicas de resíduos despejados diariamente nos rios e mares do país.

Em 2010, o volume de esgoto não tratado era maior, representava 63,72% do total O avanço, na avaliação da entidade, tem sido, contudo, insuficiente para que o país cumpra a meta estabelecida pelo governo federal de universalizar o serviço de saneamento básico em 20 anos. O estudo mostrou ainda que 38,6% da população das maiores cidades não têm acesso à coleta de resíduos, total de 30,1 milhões de pessoas.

No período de 2007 a 2011, intervalo histórico estudado pelo levantamento, variou de 59% a 61,4% a fatia da população com acesso à coleta de esgoto e oscilou de 90% para 92,2% o estrato da sociedade com água tratada.

— A universalização deve ser alcançada no dobro do tempo estimado pelo governo federal se seguir o atual ritmo. A última estimativa do Plano Nacional de Saneamento Básico foi de que, apenas para água e esgoto, são necessáriosR$ 302 bilhões até 2033. Em um cálculo simples, chega-se a uma média entre R$ 15 e R$ 16 bilhões em obras por ano.

O máximo que se conseguiu chegar foi, em 2010, R$ 8,9 bilhões. Ou seja, nós estamos na metade da velocidade necessária — explicou o diretor executivo do Instituto Trata Brasil, Edison Carlos.

Em praticamente metade das cem maiores cidades do país, segundo a pesquisa, o índice de atendimento em coleta de esgoto ficou abaixo de 60% da população municipal O levantamento mostrou também que 53% das maiores cidades investiram, em 2011, menos de 20% de sua arrecadação na expansão dos serviços de coleta de resíduos e 40% delas fizeram menos de 20% das ligações necessárias de esgoto. Segundo a pesquisa, a média das perdas financeiras com a água, ocasionadas entre outros fatores por vazamentos, roubos e ligações clandestinas, foi de 40,08% em 2011, percentual superior à média nacional, que foi de 38%. No mesmo período, em média, 74% dos cem maiores municípios apresentaram perdas maiores que 30%.

O Instituto Trata Brasil também divulgou ontem o ranking de saneamento básico das cem maiores cidades do país. Nas primeiras posições, ficaram os municípios de Uberlândia (MG), Jundiaí (SP), Maringá (PR), Limeira (SP), Sorocaba (SP) e Franca (SP). A cidade de Niterói (RJ), que em 2010 estava na 9º posição, passou para a 12º em2011. As vinte primeiras cidades no ranking estão concentradas nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

O Rio de Janeiro caiu vinte posições, entre 2010 e 2011, e passou dos 37? Parã o 57º lugar no ranking. A capital fluminense, que apresentou um índice de coleta de esgoto de 77,85% da população, ficou atrás de outras capitais como Curitiba (10), Belo Horizonte (19), São Paulo (23), entre outras. Segundo Édison Carlos, a queda não se deve à piora dos serviços de saneamento básico, mas a um avanço pequeno da cidade em comparação a outras do país.
— Não significa que a cidade piorou, mas que ela não melhorou tanto. O Rio de Janeiro estacionou em 90,66% de população atendida com água tratada. Nós já temos 23 cidades com 100%. Em investimentos, nos quatro últimos anos, a capital fluminense oscila na faixa de R$ 100 e R$ 120 milhões, o que é pouco para uma cidade do seu tamanho. São Paulo, por exemplo, investiu R$ 890 milhões — avaliou.

As seis últimas colocadas entre as cem maiores cidades foram Ananindeua (PA), Santarém (PA), Macapá (AP), Jabotão dos Guararapes (PE), Belém (PA) e Porto Velho (RO). Os municípios também apareceram no final do ranking de 2010, mas invertendo posições. A primeira colocada no ranking, Uberlândia (MG), também é a cidade que, no levantamento, cobra a segunda menor tarifa de água: R$ 0,89 por metro cúbico.

As demais cidades fluminenses citadas são Volta Redonda (25), Petrópolis (27), Campos dos Goytacazes (50), Belford Roxo (78), São Gonçalo (86), São João de Meriti (87), Nova Iguaçu (88) e Duque de Caxias (94).


Fonte -Fonte: O Globo / Gustavo Uribe