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PLANO NACIONAL DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA PODE GERAR ECONOMIA DE ATÉ R$ 40 BILHÕES NO BRASIL


Maiores reduções de custo e menores impactos no meio ambiente. A aplicação de práticas de eficiência energética no Brasil promete gerar benefícios tanto no âmbito econômico quanto no ambiental, e vem sendo buscada em diversas frentes pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), que fomenta e estimula projetos voltados à redução do consumo energético no país.

Embora ainda pouco aplicadas pelo mercado brasileiro, as práticas de eficiência podem gerar amplas vantagens aos bolsos de empresários e dos consumidores finais. Apenas no setor elétrico, essa economia pode chegar a R$ 20 bilhões, com o potencial de dobrar se forem incluídos outros setores, afirma o presidente da Abesco, Rodrigo Aguiar, que enxerga com bons olhos as perspectivas para os próximos anos. Para que as práticas de redução se consolidem no país, é necessária a criação de um plano de eficiência energética nacional que determine regras e metas para o segmento, explica Aguiar, o que poderá levar à ampliação de um mercado ainda restrito no Brasil. Responsável por uma larga fatia do consumo de energia no país, o setor industrial ainda carece de iniciativas voltadas para esse fim. “Hoje, o nosso pior desempenho é na área industrial. O setor tem que acordar para isso”.

Quais as principais propostas da Abesco?
Estamos atuando em diversas frentes de ação. Hoje nós trabalhamos com muita força a questão da comunicação, para o cliente final ter uma informação correta a respeito da eficiência energética, qual o potencial de economia e o que pode ser feito. E também atuamos na formatação de projetos, nas áreas pública e privada. Todo país que desenvolveu eficiência energética deu seus primeiros passos na área pública, enquanto no Brasil fizemos o contrário.

Quais são esses projetos?
Estamos conversando com o Ministério de Minas e Energia e o Ministério do Meio Ambiente sobre a aplicação de uma ferramenta contratual, que estabeleça um ponto de eficiência energética no país. Queremos ter até o fim deste ano uma ferramenta jurídica, aceita pelo TCU, que possa ser aplicada em todo o território brasileiro. No setor privado, temos a questão do uso de energia em edificações, que representa hoje 50% de todo o consumo do país. Vai ser lançado nos próximos 30 dias um trabalho a respeito da certificação que pode ser feita nesses casos, e que tem um potencial de 30% de economia.

Como o mercado recebe essas medidas?
Os players que já estão no mercado têm nos recebido muito bem. A Abesco tem um volume muito grande de ações práticas implantadas, e nós conseguimos mostrar o que dá certo ou não. Quanto ao lado do consumidor, o mercado está muito receptivo a pensar em soluções, mas grande parte do público ainda não tem entendimento dos projetos de eficiência energética. Com o aumento no preço das tarifas, hoje nós vemos um mercado mais interessado nessa mudança.

Quais as consequências para o setor energético?
Com essas medidas, a gente alivia o sistema de distribuição, e a energia não utilizada fica reservada para que outros consumidores possam utilizar. Não é a ferramenta que vai salvar a pátria, mas vai ajudar. Essa menor geração traz também menores impactos ambientais. Hoje, o maior emissor de gases do efeito estufa no Brasil é o setor de energia, em seus vários segmentos. O plano de eficiência energética nacional tem que ser criado, e dentro disso temos um ganha-ganha para todos.

O cenário tem apresentado mudanças?
Muito pouco ainda. Hoje, o nosso pior desempenho é na área industrial. Vemos muito poucas indústrias com projetos de eficiência implantados de forma contínua, tendo menos de 10 empresas certificadas no país. O setor tem que acordar para isso. Cerca de 60% da energia nas indústrias é consumida pelos motores, que muitas vezes já têm mais de 15 anos e não são trocados. São raras as empresas que resolvem sistematicamente esses problemas. Estamos ouvindo o mercado e formatando com a Aneel um plano de ação para o segundo semestre.


Fonte -Fonte: PetroNotícias