Hidrossanitária

OS DANOS DEVIDOS A CULTURA DO “GATO DE LUZ”


Segundo o Engenheiro Eletricista Luciano Menezes, empresário ASSOCIADO ao SINDISTAL (Sindicato da Indústria de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias do Estado do Rio de Janeiro), em São Gonçalo, a sociedade é atendida pela concessionária Ampla, que adotou a chamada “Rede Ampla – Chip”, a qual eleva a rede de baixa tensão ao nível da de Alta tensão. Essa ação dificulta, ou, quase, impossibilita as ligações clandestinas diretamente ligadas ao poste. Por isso, há grande número de acidentes na rede, pois a altura em relação ao chão é muito maior que na rede comum, além do risco que a rede de baixa tensão gera pela proximidade com a rede de alta tensão, pois o choque elétrico nessa última, na maioria das vezes é fatal.

1 – Quando as pessoas contratam alguém para fazer “gato de luz”, elas pensam apenas na economia. Mas em termos de sobrecarga de energia, o quanto o “gato de luz” pode ser prejudicial para o morador? E para as residências no entorno?
A ligação clandestina de energia, chamada popularmente por “gato” é prejudicial para toda sociedade, pois além de causar prejuízos técnicos e financeiros para a concessionária torna a instalação elétrica de quem o fez, ilegal e insegura. O “gato” é crime, e o individuo está sujeito a uma pena de reclusão e multa.

O gato é prejudicial para as residências no entorno, pois sobrecarrega a rede elétrica podendo causar panes nos transformadores, e consequentemente falta de luz, além de toda sociedade ter que pagar a conta de luz de quem não paga, pois a concessionária rateia entre todos os clientes, no valor da tarifa de energia, que tem seu valor aumentado.

2 – Quando alguém sofre acidente com choque elétrico, seja na rua ou em casa, o que deve e o que pode ser feito?

De acordo com o Presidente do SINDISTAL, Fernando Carlos Cancella, o choque elétrico é a reação do organismo à passagem da corrente elétrica. Eletricidade, por sua vez, é o fluxo de elétrons de um átomo, através de um condutor, que vem a ser qualquer material que deixe a corrente elétrica passar facilmente (cobre, alumínio, água, etc).

O “efeito danoso” que o choque pode causar, popularmente, costuma ser associado com o nível de tensão da rede. Porém, o correto é dizer que depende da intensidade da corrente elétrica, que atravessa o corpo da pessoa durante o choque, e do caminho da corrente elétrica pelo corpo. Certamente que, quanto maior for a tensão da rede, maior é a probabilidade de ocorrer um dano físico à pessoa, tendo em vista que, pela lei de Ohm, o aumento da corrente é diretamente proporcional ao da tensão, e inversamente proporcional ao da resistência elétrica, ou seja, para a mesma resistência do corpo humano, que é relativamente constante (entre 1300 e 3000 ohms para
a tensão de 127 V), haverá aumento de corrente, se aumentarmos a tensão. Por isso, o choque elétrico pode causar diversas lesões graves na vítima, asfixia, e, até, matar.
O Eng. Luciano Menezes orienta: recomenda-se não tocar na vítima enquanto a rede elétrica não for desligada. Em seguida, dependendo do estado da vítima, fazer os primeiros socorros e chamar uma ambulância urgentemente, pois dependendo da forma e tipo (127; 220V;…etc.) do choque elétrico pode ser fatal ao ser humano.

3 – Uso de benjamins, extensões e troca de lâmpadas com interruptor ligado são exemplos de práticas usuais nas residências que, talvez por falta de informação, são exercidas sem nenhuma forma de prevenção. Além dessas práticas, o que mais pode ser evitado?

Podem, também, ser evitadas emendas na fiação elétrica, principalmente, sem isolamento adequado, que geram desperdício de energia e aumentam o risco de incêndio por curto-circuito e choque elétrico, nas instalações elétricas, em geral. Pode ser evitado, ainda, o uso de equipamentos de alta potência, como, fornos elétricos, ar condicionado portátil, etc, quando a fiação interna das instalações e o sistema de proteção (disjuntores) não forem apropriados para receber esse tipo de carga. Para saber se as instalações estão apropriadas, é necessária a avaliação de um Engenheiro Eletricista.

O engenheiro sublinha que diversos incêndios são causados por instalações inadequadas, e avaliações, igualmente, mal feitas, por profissionais que não estão habilitados.

4 – Um curso de eletricista, geralmente, tem qual duração?

Existem vários tipos de curso de eletricistas: instalações elétricas prediais, instalações elétricas industriais, residenciais, etc. Por exemplo, a duração de um curso para eletricista predial oferecido à noite, pela Escola Técnica do SINDISTAL, Escola Técnica MAZZA, é de 80 horas.

5 – Baseado na sua experiência, como Empresário que atua na área elétrica, o que mais implica na continuidade das ligações clandestinas de energia: alto preço cobrado pela energia elétrica, facilidade de burlar os equipamentos de energia (mesmo com chips e outros métodos) ou a facilidade de desse tipo de serviço com eletricistas informais?

Existe uma série de fatores que favorecem a continuidade das ligações clandestinas: além do alto custo da energia, temos também o fator cultural, que em determinadas regiões do Brasil é muito forte, e passada de geração para geração.
Cada vez mais as concessionárias de energia estão dificultando as ligações clandestinas na Rede, através de Redes com Chip e fiscalização. Porém, em locais demarcados como “área de risco” não há qualquer controle da concessionária, nem das autoridades públicas, e, por isso, as ligações clandestinas são comuns na maioria das residências.


Fonte -Fonte: Engenheiro Luciano Menezes e Presidente Fernando Carlos Cancella.