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MERCADO IMOBILIÁRIO: INADIMPLÊNCIA É PEQUENA E SE MANTÉM ESTÁVEL


Poucos segmentos ostentam um alto crescimento ao mesmo tempo em que registram uma queda expressiva das taxas de inadimplência como o mercado imobiliário. No ano passado o percentual de contratos com mais de três meses de atraso situava em 2%, um índice estável até agora e sem muitas projeções de mudanças. Quando se retira desse quadro os contratos fechados no regime de garantias hipotecárias e se enxerga apenas os que estão sob a alienação fiduciária, 2011 fechou com um percentual menor, de 1,3%. A inadimplência em negócios com veículos, por exemplo, chegou a 5,5% em fevereiro.

A legislação que prevê a alienação fiduciária foi aprovada em 1898 e permitiu aos bancos a possibilidade de retomarem mais rapidamente o imóvel, antes os processos podiam se arrastar por anos. “Esse conceito trouxe uma nova ordem jurídica para os contratos e mais segurança para os credores”, diz Osmar Roncolato, vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). “Ninguém quer perder seu investimento em um imóvel, se precisar escolher entre o que pagar, as pessoa optam em pagar sua casa própria”, complementa.

O instrumento da alienação fiduciária não foi o único fator que beneficiou o setor imobiliário. “Uma melhor relação de emprego e renda e a queda nas taxas de juros auxiliam tanto na aquisição do imóvel quanto na menor insolvência”, diz Roncolato. Para um mercado que em março tinha um saldo no crédito habitacional de RS 270 bilhões, o comprometimento da renda de 20% a 30% aplicado pelos bancos para garantir o financiamento se tornou uma importante ferramenta.

A exigência de uma poupança mínima de 20% do valor do imóvel por parte dos interessados na aquisição da casa própria também influencia a queda das taxas de inadimplência na visão das instituições financeiras “Nós temos visto o exemplo de outros países que não trabalham com esse comprometimento da entrada mínima de 20% atingirem uma situação muito perigosa”, diz Luiz Antônio França, diretor de crédito imobiliário do Itaú Unibanco. Cláudio Borges, diretor de crédito imobiliário do Bradesco, diz que os percentuais de comprometimento da renda e do valor a ser financiado garantem estabilidade. “Quem compra uma casa própria hoje tem se preparado para isso”, diz.

Segundo o executivo, os contratos fechados pelo banco mostram que há uma poupança média de 44% para a entrada na compra do imóvel, bem acima do mínimo exigido, o comprometimento da renda chega a 20% e não os 30% estabelecidos e os prazos escolhidos são, na média, de 20 anos e não os 30 anos oferecidos.


Fonte -Fonte: Valor Econômico / Wanise Ferreira