Hidrossanitária

LIGHT PRETENDE INVESTIR ATÉ 30% MAIS DO QUE EM 2010


Empresa fez aportes de R$ 700,6 milhões no ano passado. Expansão da rede e qualidade do serviço, além de combate a perdas, é foco da companhia.

Em 2011, a Light (RJ) pretende investir cerca de 30% mais do que os R$ 700,6 milhões investidos no ano passado.

Segundo o presidente da Light, Jerson Kelman, do total estimado em torno de R$ 900 milhões, pelo menos R$ 700 milhões devem ser aplicados na distribuição, em especial, no programa de redução de perdas de energia, em novas linhas de distribuição e subtransmissão e na qualidade do serviço. O restante deverá ser destinado à geração.

Em entrevista coletiva e em teleconferência para apresentar os resultados da companhia em 2010, Kelman contou que a empresa não pretende participar da disputa de hidrelétricas do leilão de energia nova A-5 – “não está no horizonte da empresa”, disse – mas dependendo do preço teto para a energia eólica, nos leilões de energia nova A-3 e de reserva, previstos para o primeiro semestre deste ano, a Light poderá incluir duas eólicas localizadas no Nordeste.

A Light, hoje, está implantando a pequena central hidrelétrica Paracambi e aguarda o licenciamento da hidrelétrica de Itaocara (195 MW).

No ano passado, a empresa teve lucro de R$ 575,2 milhões, pouco abaixo dos R$ 589 milhões verificados em 2009 – números já ajustados ao IFRS, nova norma contábil, com base em padrões internacionais, destacou João Batista Zolini Carneiro, diretor de Finanças e Relações com Investidores da Light.

A mudança beneficiou a empresa, que deixou de registrar no balanço os passivos regulatórios – em grande parte calcada na energia de Itaipu, que é vendida em dólar.

Ao não considerar ativos e passivos regulatórios, a empresa teve impacto de R$ 268 milhões em seu resultado.

O Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações – cresceu 34% em comparação com o mesmo período do ano passado. A razão principal, segundo o diretor de RI, foi o crescimento de mercado verificado pela Light, de 4,2%, o que corresponde a um consumo de 22.384 GWh, contra 21.492 GWh em 2009.

Analisando por classes, a residencial teve aumento de 4,6%; a comercial, 4,2%; a industrial, 5% e outros segmentos (que inclui, por exemplo, instalações do poder público), 2,2%.

Zolini destacou ainda que apesar da existência de clientes livres e de migrações na área da concessão da Light, a condição de consumidor livre não reflete na receita da companhia, já que eles pagam pelo uso do fio.

Custos – A Light verificou ainda aumento de despesas em 2010.

O motivo, segundo Zolini e Kelman foram as ações da empresa no início do ano, por conta do verão 2009/2010, quando a empresa teve diversos problemas técnicos e operacionais que resultaram em apagões em diversos pontos da área de concessão, em especial na Zona Sul do Rio.

Segundo Kelman, a empresa gastou R$ 10 milhões com uso de geradores a diesel, R$ 7 milhões com o reforço da equipe de call center, e contratação de equipes próprias para atuar em redes subterrâneas – onde se localizaram boa parte dos problemas da companhia. Além disso, contou Zolini, um Programa de Demissão Voluntária que teve a adesão de 150 profissionais demandou outros R$ 23 milhões.

Para melhorar as receitas, salientou Kelman, a empresa pretende apostar no combate à inadimplência. A medida começou a ser aplicada em hospitais públicos, a partir de acordos com a Prefeitura do Rio de Janeiro e do governo estadual. Como não se pode cortar hospitais, por ser considerado um serviço essencial, a Light passou a entregar aos hospitais inadimplentes um gerador a diesel e combustível com duração de uma semana – com um aviso de que após o fim do estoque, a compra de mais combustível seria de responsabilidade do próprio hospital.

Com isso, a distribuidora conseguiu renegociar dívidas, colocando R$ 4 milhões a mais no caixa da companhia. Por sinal, ações com o poder público têm resultado em altas taxas de arrecadação. Em 2010, a arrecadação total da Light ficou em 97,9% – mas no poder público o percentual ficou em 107,1%.

No caso de clientes de baixa tensão, a empresa criou canal de negociação em que propõe ao cliente o pagamento de faturas em aberto em até 24 meses, em condições especiais, sem juros e multa. Faturas em aberto acima de 24 meses são perdoadas pela Light.

E para os clientes que se mantém inadimplentes, segundo Kelman, a estratégia está na negativização do consumidor. A expectativa, segundo ele, é de realizar 1,6 milhão de negativizações – dez vezes mais inclusões em cadastro de proteção ao crédito do que o verificado em 2009.


Fonte -Fonte: Agência CanalEnergia – Fábio Couto