GRUPO ÁGUAS DO BRASIL ESTIMA RECEITA DE R$ 1,38 BI EM 2015


O grupo Águas do Brasil, maior empresa privada de saneamento do país, com concessões em 16 cidades, terminou o ano passado com receita líquida de R$ 1,2 bilhão, 18% mais do que no ano anterior, e lucro de R$ 120 milhões, segundo Claudio Abduche, presidente da companhia. Neste ano, ele acredita que será possível alcançar um aumento de 15%, para cerca de R$ 1,38 bilhão.

O executivo diz que é provável que uma redução de consumo de água nas cidades onde a companhia opera, após campanhas diversos locais do país para que a população mude seus hábitos. A empresa não chegou a ser afetada pela crise hídrica do Sudeste no ano passado, afirma Abduche, embora tenha tido problemas pontuais de abastecimento em Paraty (RJ). Mesmo assim, o executivo acredita que haverá uma mudança de comportamento de toda a população, o que poderá levar a uma redução do consumo em diversas cidades.

Em 2015, o grupo pretende disputar novas concessões de saneamento urbano e também considera a aquisição de ativos do setor no Brasil, ainda que esse não seja seu caminho preferencial de crescimento. Entre as opções para compras está a OAS Soluções Ambientais, empresa do grupo OAS.
No ano passado, o grupo Águas do Brasil quase concretizou a compra da Águas de Itu, mas a operação foi interrompida por problemas relacionados com o Bertin, que controla a empresa de saneamento de Itu (SP).

Além dos serviços de saneamento urbano, com abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, a companhia atua no setor industrial, com sistemas para tratamento de água, efluentes e reúso. Entre seus clientes estão a Jaguar Land Rover, em Itatiaia (RJ) e outras montadoras em Resende (RJ).

Seu controle é dividido entre as empresas Developer – Carioca Engenharia, Queiroz Galvão Participações e Concessões, Trana Participações e Investimentos e Construtora Cowan.

Os primeiros passos para o aumento das receitas neste ano foram dados, diz Abduche. A companhia venceu a licitação para realizar os serviços de saneamento em Pará de Minas (MG), onde substituirá a Copasa, e assinará o contrato nas próximas semanas. Neste ano, ele estima uma receita adicional de aproximadamente R$ 30 milhões com essa concessão.

O contrato prevê investimentos de R$ 225 milhões durante 35 anos e a prefeitura estima que o faturamento da companhia no período será de R$ 1,7 bilhão nos valores de hoje. Abduche afirma que pretende resolver a situação de estresse hídrico da cidade em 12 meses contados a partir do início da atuação da empresa na cidade, previsto para abril.

O grupo Águas do Brasil vai verificar se há outras oportunidades em Minas Gerais, onde ainda não atuava, afirma. Até o ano passado, tinha concessões no Rio de Janeiro (zona oeste da capital, Niterói, Campos, Petrópolis, Nova Friburgo, Resende, Araruama, Silva Jardim, Saquarema, Paraty) em São Paulo (Jaú, Araçoiaba, Votorantim, Ourinhos) e Amazonas (Manaus).

Em Jaú, o início da atuação do grupo está previsto para março. No momento, a companhia está em fase de transição para assumir a concessão, que tem prazo de 35 anos e investimentos estimados em R$ 165 milhões.

Abduche acredita que 2015 será um ano mais difícil do que os anteriores para obter financiamentos. No entanto, diz que a companhia tem boa nota de crédito, baixa alavancagem, boa relação com os poderes concedentes nas concessões e uma carteira diversificada, o que facilita seu acesso a recursos.

PROPOSTAS POR OAS JÁ FORAM ENTREGUES

As companhias interessadas em comprar a OAS Soluções Ambientais, empresa de saneamento do grupo OAS, entregaram na terça-feira (17/02), em pleno Carnaval, suas propostas não vinculantes. De acordo com fontes do setor, pelo menos dez companhias avaliaram a possibilidade de aquisição da OAS Soluções Ambientais nos últimos meses.

Entre elas estão o grupo Águas do Brasil e a Aegea Saneamento, duas das três maiores empresas privadas de saneamento no país, em faturamento, e a Nova Opersan, especializada em tratamento de água e efluentes para indústrias.

O próximo passo nas negociações deverá ser a seleção das melhores propostas para uma nova etapa, em que os interessados terão acesso a informações mais detalhadas da companhia.

A OAS Soluções Ambientais teve faturamento de R$ 62 milhões em 2013 e tem dois ativos considerados bons por companhias do setor: a concessão de 30 anos para realizar serviços de água e esgoto em Araçatuba (SP), que ganhou em 2012, e a Parceria Público-Privada (PPP) no serviço de esgoto em Guarulhos (SP).

Em agosto, o presidente da OAS Soluções Ambientais, Louzival Mascarenhas, afirmou ao Valor que tinha a expectativa de faturar R$ 90 milhões em 2014. Na ocasião, a empresa trabalhava em cinco Procedimentos de Manifestação de Interesse (PMIs), um deles para atuar na região metropolitana de Belém e os outros em Vila Velha (ES), Montes Claros (MG), Sete Lagoas (MG) e Catanduva (SP).

O grupo OAS já comunicou ao mercado neste ano que pretende vender alguns ativos para reforçar sua liquidez, em meio a um processo de reestruturação financeira. Os assessores financeiros do grupo são a G5 e a Evercore e os assessores legais no processo são os escritórios Mattos Filho Advogados e White & Case LLP.


Fonte -Fonte: Valor Econômico