FIRJAN FAZ PROPOSTAS SOBRE A CRISE HÍDRICA


A Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) encaminhou ao governo do estado sugestões para a crise hídrica.

“Prezado Senhor Governador,

Face à crise hídrica de proporções inéditas pela qual passa o estado do Rio, o Sistema FIRJAN – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – vem manifestar sua preocupação em relação à realidade enfrentada pelas Indústrias fluminenses e seus reflexos para toda a sociedade.

Desde o início do ano passado, o volume de água dos 4 reservatórios localizados no Rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de 75% do estado do Rio, vem diminuindo e ameaça o fornecimento de água para mais de 12 milhões de pessoas e mais de 3.800 indústrias, somente no território fluminense.

Desde então, algumas medidas de gestão foram implantadas pelos órgãos responsáveis, tendo como maior reflexo a redução das vazões transpostas do Rio Paraíba do Sul para a bacia do Rio Guandu. Hoje essa vazão alcança o menor valor já reportado em 85 anos. O Sistema FIRJAN tem representado e apoiado as indústrias do estado do Rio, desde o início dessas discussões, na busca de soluções que minimizem os impactos dessas reduções na disponibilidade de água e em suas atividades.

O setor industrial tem muito que mostrar. Sendo responsáveis por 827 mil empregos diretos, as indústrias do estado do Rio há muito vêm implementando ações de redução no consumo e reúso de água. Segundo dados de uma pesquisa feita pelo Sistema FIRJAN, 56,7% das indústrias já adotaram alguma medida de redução do consumo de água, o que levou a uma redução média no consumo de 25,6%, nos últimos 2 anos.

Porém, mesmo essa evolução pode não ser suficiente para enfrentar uma crise prolongada, com perspectivas de agravamento, como a que estamos vivendo. Não há discussão quanto à prioridade do abastecimento humano em caso de escassez. Tal princípio já faz parte da Política Nacional de Recursos Hídricos desde 1997. Porém, é importante que a indústria fluminense tenha oportunidade de participar das decisões e da busca de alternativas que garantam sua capacidade de produzir e gerar empregos, com o apoio necessário do Governo, em todos os níveis.

Nesse sentido gostaríamos de sugerir algumas medidas que consideramos importantes para enfrentamento dos desafios atuais e futuros:

1. Acelerar a implementação das ações para melhorias dos Sistemas de Abastecimento de Água, como o projeto da Nova Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu, o que seria capaz de atender a um aumento populacional de 4,5 milhões de consumidores na Baixada Fluminense e Região Metropolitana do Rio de Janeiro;

2. Acelerar a implementação das ações para melhoria dos Sistemas de Coleta e Tratamento de Esgoto, visando a expansão, dos atuais 59%, para 90% de atendimento da rede coletora e, dos atuais 35%, para 70% de tratamento dos esgotos sanitários coletados, previstas para 2030;

3. Criar condições diferenciadas e incentivadas para a outorga e para o uso da água subterrânea pelas indústrias do estado do Rio, onde for tecnicamente viável;

4. Criar condições diferenciadas e incentivadas, para a implementação de projetos de dessalinização de água do mar;

5. Seguindo os exemplos dos projetos do Aquapolo, em São Paulo e Água Viva, na Bahia, promover o estabelecimento de Parcerias Público Privadas, ou outro modelo de negócio que viabilize técnica e financeiramente o fornecimento de água de reuso de Estações de Tratamento de Água ou de Esgoto, para a indústria fluminense.

Temos absoluta certeza de que o Governo do Estado do Rio de Janeiro está empenhado em garantir as condições necessárias para continuarmos no caminho do desenvolvimento sustentável e que uma situação grave como a que passamos hoje demanda esforço e participação de todos.

A indústria fluminense vem fazendo sua parte e vai continuar contribuindo para o desenvolvimento sustentável do estado do Rio.

Atenciosamente,
Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira
Presidente do Sistema FIRJAN “.


Fonte -Fonte: Jornal do Commercio