FALTA DE ÁGUA PODE AFETAR 55% DAS CIDADES ATÉ 2015


Crescemos escutando na escola que o Brasil é o país do futuro justamente por não nos faltar recursos naturais. Temos em abundância até o mais precioso deles: a água. Nosso país é abençoado por 12% de toda a água doce que existe no planeta.

Acontece que anos de mau uso somados à incompetência dos governos para construir a infraestrutura necessária para garantir o acesso da população a um abastecimento de qualidade e à rede de saneamento básico fizeram com que o Brasil agora tenha que desembolsar grandes quantias de maneira ágil para evitar a falta de água.

Segundo o Atlas Brasil, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e que estará disponível a partir das 18h de hoje, Dia Mundial da Água, serão necessários R$ 70 bilhões até 2025 em obras de água e esgoto para evitar o desabastecimento nos próximos anos.

Já em 2015, 55% das cidades brasileiras poderão ter seu acesso à água comprometido, dessas, 84% necessitam de investimentos para adequação de seus sistemas produtores e 16% precisam de novos mananciais. São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e o Distrito Federal estão incluídas nessa percentagem.

A análise foi feita em 5.565 cidades, que juntas somam mais de 70% do consumo de água brasileiro. O que mais precisa de investimentos é o sistema de coleta e tratamento de esgoto, R$ 48 bilhões. Entre as regiões, o Nordeste é a mais carente, sendo necessários R$ 9,1 bilhões para melhorar a situação.

Mais de mil representantes de quase 50 organizações estão discutindo questões como distribuição e privatização dos recursos hídricos. Um dos pontos mais interessantes até aqui da conferência foi o debate sobre novos modelos de gestão da água.

– Temos que parar de pensar que as pessoas são apenas consumidoras e vê-las mais como alguém que tem a custódia da água. Assim, gerenciaríamos o fluxo e não apenas o estoque – explicou Anthony Turton, diretor da TouchStone Resources, uma empresa sul-africana de administração de recursos naturais.

A escassez dos recursos hídricos é uma preocupação global e afeta diversos setores, por isso as soluções devem ser pensadas multidisciplinarmente e sem fronteiras.

Abastecimento e saneamento são importantes, mas a falta de água implica na segurança energética, alimentação, desenvolvimento econômico etc.

Precisamos de uma visão integrada para achar soluções que lidem com todos esses fatores – resumiu Julia Bucknall, do Banco Mundial.

A ONU afirma que quem mais sofre com a falta de água é justamente a população pobre, que acaba tendo que pagar mais pelo recurso.
Não restam dúvidas de que a boa gestão dos recursos hídricos é uma das prioridades mundiais nas próximas décadas.

O Brasil tem a chance de melhorar a sua situação utilizando sabiamente os investimentos para a Copa do Mundo e Olimpíadas e finalmente gerenciar adequadamente suas reservas.

Vale ainda ressaltar que medidas simples adotadas por cada um de nós podem sim fazer grandes diferenças. Reutilização e moderação são palavras chave que ajudariam a evitar que nossas cidades tenham racionamento no futuro.


Fonte -Fonte: Agência Nacional de Águas e Instituto Carbono Brasil