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Empresas se readaptam na crise, mas relatam dificuldade de acesso ao crédito


Empresas se readaptam na crise, mas relatam dificuldade de acesso ao crédito

 

Conselho Empresarial de Competitividade da Firjan mostrou, em sua mais recente reunião, como empresários vêm readaptando suas linhas de produção para enfrentar a crise imposta pela pandemia da Covid-19. Por outro lado, há relatos de dificuldades de acesso às linhas de crédito anunciadas pelo governo federal, por conta de burocracia.

A Hightech Comunicação, em Benfica, por exemplo, rapidamente se reinventou para produzir faceshields (protetores faciais para profissionais de saúde). No entanto, Paulo Ramos Junior, diretor da empresa, relatou a dificuldade. “Somos uma empresa de pequeno porte. Precisamos de cooperação e agilidade na análise de crédito ou então a produção dos equipamentos pode travar em um momento crucial”, alertou.

Nesse sentido, a Firjan está atuando institucionalmente, mantendo diálogo direto com o governo e as instituições financeiras, para relatar os problemas e discutir soluções, além de disponibilizar o Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC), que ajuda no esclarecimento de dúvidas (e-mail: nac@firjan.com.br).

Casa Firjan também tem se mobilizado para oferecer alternativas. “A Casa está viabilizando editais para que as empresas tenham recursos para inovar no combate à pandemia. Temos ainda realizado lives para detalhar as especificidades dos editais e discutir o tema”, explicou Cristiane Alves, gerente geral de Desenvolvimento e Inovação Empresarial da federação.

Mobilização para enfrentar a crise

Além de empresários, o Conselho – realizado por videoconferência, em 15/04 – reuniu pesquisadores e médicos para debater as soluções de combate ao novo coronavírus que vêm sendo desenvolvidas em colaboração.

Iniciativas como a da Hightech são fruto da mobilização que a Firjan realiza, desde março, por meio do Programa Resiliência Produtiva, conectando vários atores para produção de soluções inovadoras e imediatas. “A Firjan, em parceria com o Sindicato da Indústria de Material Plástico (Simperj), nos acionou e, na mesma semana, já tínhamos produzido 20 mil equipamentos e doado mais de 3 mil na semana seguinte. Essa é uma causa fundamentalmente humanitária”, frisou Ramos Junior.

O último lançamento da empresa foram as máscaras para bebês. O próximo passo é a produção de máscaras civis para proteção de toda a população. “Queremos massificar o uso desses equipamentos, principalmente para as comunidades vulneráveis, que sofrem com a grande concentração de pessoas em espaços apertados”.

Para Gladstone José dos Santos Junior, presidente do Conselho e do Simperj, é importante mostrar exemplos assim. “Reunimos casos de sucesso no Conselho, porque acredito que exemplos são inspiradores e encorajam outras empresas, fazendo-as acreditar que é possível se reinventar para continuar produzindo, gerando emprego e sobrevivendo em meio à crise”, afirmou.

Pioneirismo fluminense

Também participaram da reunião Alberto Chebabo, diretor médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ), e Jorge Lopes, pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia e professor da PUC-Rio. Chebabo destacou o pioneirismo do Rio na produção industrial dos equipamentos e a rápida resposta das empresas. “O Rio saiu na frente nesse movimento. Foi a partir do nosso exemplo que outros estados também embarcaram nessa. Foi fundamental a participação da iniciativa privada”, disse.

Lopes ressaltou a parceria entre a universidade carioca, a Firjan e o Simperj. “A PUC montou um laboratório de apoio bastante amplo. Tem sido um processo de colaboração muito rico, com uma troca de informações muito ágil entre os envolvidos. Diante da alta dependência que temos de EPIs e respiradores da China, estamos constatando como é relevante que a indústria fluminense volte a florescer”, ressaltou.