Hidrossanitária

CONCESSIONÁRIAS APOSTAM EM SMART GRID E FONTES LIMPAS


Diante da tendência de migração para uma economia de baixo carbono, as empresas do setor elétrico deverão direcionar seus investimentos nessa década nas redes inteligentes (chamadas de smart grid, em inglês) – que permitirão maior eficiência e um novo mundo aos consumidores – e nas energias renováveis, de olho em uma matriz cada vez mais baseada em fontes limpas.

Esse cenário deverá ajudar a reduzir a emissão de poluentes do setor energético nacional, que responde hoje por cerca de 16,5% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, um percentual muito abaixo do verificado no mundo, onde o segmento de energia é o principal poluidor, respondendo por 65% das emissões de dióxido de carbono.

Com o etanol abastecendo boa parte da frota de veículos e a matriz elétrica baseada em hidrelétricas e eólicas, o Brasil tem uma posição de destaque tanto na comparação com países desenvolvidos quanto com economias emergentes. Na China, 74% das emissões de poluentes globais estão relacionadas ao setor energético. Nos Estados Unidos, o percentual chega a 89%, segundo estimativas de Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No Brasil, a ocupação do solo e o desmatamento são os maiores emissores de gases de efeito estufa.

O principal investimento das concessionárias de distribuição nessa década, serão as redes inteligentes, cuja implementação permitirá que as máquinas e equipamentos conversem entre si buscando maior eficiência e que cada eletrodoméstico tenha seu consumo em tempo real avaliado pelo consumidor.

O smart grid também vai aumentar a interação com o consumidor, que poderá ter à sua disposição tarifas diferenciadas por horário. “O consumidor poderá ver em reais quanto cada equipamento gasta em sua casa e com isso pode gerenciar o horário de funcionamento de alguns eletrodomésticos, quando a energia fica mais barata”, diz Marcelo Llévenes, presidente da Endesa Brasil e da Ampla.

Um ponto que deve ser impulsionado é o da geração distribuída (realizada próxima aos centros consumidores). O cliente residencial pode ter painéis solares instalados em sua casa e poderá até vender parte dessa energia à rede.

“Os medidores inteligentes são condição básica para a geração distribuída solar, porque os aparelhos permitem saber se o cliente está consumindo ou se está exportando para a rede”, diz Paulo Bombassaro, diretor de engenharia e gestão de ativos da CPFL Energia.

“Em relação aos medidores inteligentes para os clientes de baixa tensão, ainda esperamos a regulação da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), mas nos consumidores de média e alta tensão já estamos contratando softwares e aparelhos para eles”, diz Bombassaro.

“O foco das concessionárias ainda é maior nos medidores, mas existe a necessidade da sua integração com as outras soluções de smart grid, sem as quais as soluções implementadas apenas transformam a medição analógica em digital, sem consolidar a gestão da informação do negócio”, diz Luiz Sobral, gerente de vendas de utilities da Oracle do Brasil. Em paralelo, investimentos em fontes limpas ganharão mais espaço.

Entre 2011 e 2020, energias renováveis como usinas eólicas, de biomassa de cana-de-açúcar e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) devem ter uma expansão média anual de 12%, mais do que o dobro da demanda anual prevista para os consumidores, segundo o planejamento do governo federal. Esse conjunto de fontes alternativas, que em 2009 respondiam por 7,4% da potência instalada, deve aumentar sua participação para 13% em 2014 e 16% em 2020.

O potencial das fontes alternativas é grande. Em 2001, quando se fez o primeiro Atlas Eólico do país, o potencial da energia movida pelos ventos foi estimado em 143 mil MW, com base em torres de 50 metros de altura de aerogeradores. Uma década depois, um novo estudo do governo deve mostrar outro panorama: estima-se que o potencial possa chegar a 300 mil MW, já que hoje as torres têm mais de 100 metros de altura, onde a força dos ventos é maior.

Nas PCHs, a capacidade do segmento está em 4,5 mil MW, mas o potencial é calculado em 17,5 mil MW. Na biomassa, apenas 100 das 430 usinas em operação no país exportam bioeletricidade para a rede, sendo que grande parte do potencial está em usinas antigas.


Fonte -Fonte: Valor Econômico