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COMPACTOS DOMINAM O MERCADO DE LANÇAMENTOS


Lançamentos de dois quartos com até 69 metros quadrados para a classe média dominaram os mercados imobiliários fluminense e paulista no ano passado. Enquanto no Estado do Rio, 61% dos imóveis lançados eram de dois quartos, na região metropolitana de São Paulo a tipologia correspondeu a 54% dos lançamentos. Já no quesito segmento, os imóveis de valor considerado médio, entre R$ 200 mil e R$ 500 mil, representaram 43% dos lançados no Rio, e 51%, em São Paulo. Os dados constam do Anuário do Mercado Imobiliário Brasileiro 2012, lançado este mês pela Lopes Imobiliária.

– É exatamente nessa faixa que se concentra a grande fatia do mercado. São famílias pequenas e jovens com renda a partir dos R$ 5 mil que estão realizando o sonho da casa própria – analisa Luigi Gaino, diretor geral da Lopes, no Rio.

Compactação é maior em São Paulo:

Mas se os imóveis compactos dominam o mercado de novos, os dados coletados pela Lopes mostram também que eles estão diminuindo ainda mais de tamanho. E em São Paulo, esse fenômeno da compactação é ainda mais forte que no Rio. Por lá, os imóveis com até 49 metros quadrados responderam por nada menos que 29% dos 66.204 lançados em 2012. E entre 50 e 69 metros quadrados, por 42%. Aqui, os percentuais são um pouco menores: 24% têm até 49 m², e 38%, entre 50 e 69 m². Já entre 70 e 89 m², a concentração é maior no Rio: 23%, contra 14% de São Paulo. Uma das explicações para isso é a legislação carioca. Como em grande parte da cidade só se pode construir imóveis a partir de 55 metros quadrados, os lançamentos de um quarto mais compactos praticamente não acontecem. Estes ficam concentrados no segmento popular (até R$ 100 mil), em especial do programa Minha Casa Minha Vida, fora da cidade do Rio.

Em São Paulo, a situação é bem diferente. Por lá, a compactação é uma realidade do mercado e, levando-se em consideração a velocidade de vendas, aprovada pelos consumidores. Não é para menos. O imóvel de um quarto compacto é um produto considerado versátil pelos agentes do mercado, já que atende tanto o solteiro que acaba de sair da casa dos pais, como o executivo de fora da cidade que vem para trabalhar em uma grande empresa, ou o jovem casal. Além, é claro, do investidor.

– Em São Paulo, esse produto oferece uma rentabilidade na locação superior à das demais tipologias. Empreendimentos assim têm praticamente todas as unidades vendidas no dia do lançamento – diz o diretor da Lopes.

Não à toa, as construtoras investem cada vez mais nesses produtos. Só a BKO Incorporadora, por exemplo, lançou três empreendimentos com apartamentos entre 30 e 45 metros quadrados – um em Santos e dois em São Paulo, nos bairros de Alphaville e Vila Olímpia. Com preços de venda entre R$ 6,5 mil e R$ 12 mil, restam poucas unidades disponíveis e apenas em Santos e Alphaville.

– São produtos pensados para um público com perfil sofisticado, que quer um imóvel que tenha a sua “cara” – explica Mario Miozzo, diretor da BKO Vendas, acrescentando que os imóveis podem ser personalizados pelos clientes e recebem um grande investimento também em tecnologia.

Duas regiões metropolitanas têm 50% do mercado nacional:

O anuário da Lopes reúne informações levantadas em 110 cidades brasileiras, que correspondem a 86% do mercado nacional. No Rio, foram pesquisadas a capital e as cidades de Niterói, Petrópolis, Mangaratiba, Nova Iguaçu, Macaé, Itaboraí, Campos, São Gonçalo, Itaguaí e Magé. Em São Paulo, além da capital, o levantamento foi realizado em Barueri, São Caetano do Sul, Diadema, São Bernardo, Santo André, Mogi das Cruzes, Guarulhos, Osasco, Cotia, Santana do Parnaíba e Taboão da Serra. Somadas, as duas regiões respondem por 50% do mercado nacional com um valor de vendas que chega a R$ 39 bilhões.


Fonte -Fonte: O Globo