Geral

Com novidades em digitalização e Subsea, projetos de P&D no Brasil somaram r$ 1,9 bilhão em 2019


Com novidades em digitalização e Subsea, projetos de P&D no Brasil somaram r$ 1,9 bilhão em 2019

As petroleiras que atuam no Brasil desembolsaram, em 2019, cerca de R$ 1,9 bilhão em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I). Apesar de o montante ser inferior na comparação com o ano anterior (queda de 4,5%), as empresas deram o pontapé inicial em um grande volume de projetos que prometem trazer muitos avanços para a exploração e produção de óleo e gás no país. O Petronotícias reuniu algumas destas iniciativas para explicar como elas podem aprimorar as atividades dessas companhias no Brasil. Começando pelo segmento subsea, a Petrobrás e a Shell, por exemplo, iniciaram um projeto de desenvolvimento de um sistema submarino de potência.

O objetivo das empresas é desenvolver este sistema para viabilizar projetos de aumento de produção em campos maduros e reduzir custos de instalação em novos campos. Um detalhe chama atenção: a tecnologia terá alto conteúdo local, prometem as duas petroleiras. Além dos estudos sistêmicos, o projeto desenvolverá soluções para utilização de equipamentos convencionais de superfície em ambiente submarino. O investimento previsto é de R$ 12,6 milhões e a iniciativa, iniciada em outubro, terá duração de 12 meses.

Outra novidade interessante, ainda dentro da área submarina, é o desenvolvimento de um sistema de inspeção de dutos flexíveis por meio do uso de tomografia computadorizada de alta potência. A ideia está sendo liderada pela Shell e conta com investimento de R$ 22 milhões. O objetivo do sistema será a geração de um modelo tridimensional (3D) dos dutos, permitindo a identificação de diversos tipos de danos e potenciais modos de falha. Como se sabe, o pré-sal brasileiro coleciona um histórico de rompimento de risers flexíveis, devido ao ambiente corrosivo da região.

 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM POÇOS E TURBINAS EÓLICAS EM ÁGUAS PROFUNDAS

Saindo da área subsea, outro segmento que tem recebido bastante atenção por parte das petroleiras é o de digitalização. A Petrobrás, por exemplo, iniciou uma pesquisa para fazer o monitoramento de poços de petróleo e da produção por meio de Inteligência Artificial (IA). A ideia aqui é criar classificadores, com técnicas de IA e dados reais e simulados de produção de petróleo, que detectem e classifiquem eventos indesejáveis e danosos ao processo de upstream.

A estatal também está investindo em um projeto de sistema inteligente para implementar a supervisão, através de imagens, nos ambientes de operações das sondas de perfuração de poços de petróleo, utilizando tecnologia video analytics. O total de recursos destinado só para este empreendimento passa dos R$ 10 milhões.

Outro projeto que merece destaque, e que já foi noticiado pelo Petronotícias, foi a expansão da capacidade do supercomputador Santos Dumont, da Petrobrás. Foram investidos mais de R$ 63 milhões, que elevaram o equipamento ao status de líder no ranking de mais alto desempenho da América Latina. Ele será usado nos estudos de processamento sísmico e simulação de reservatórios, e também na otimização da perfuração de poços e dos projetos de produção – no pré-sal da Bacia de Santos e, em especial, no campo de Mero. O investimento nesta iniciativa foi liderado pela Petrobrás e suas parcerias na área de Libra – Shell, Total, CNPC, e CNOOC.

Apesar de a Petrobrás focar seus negócios em exploração e produção, a companhia tem também um projeto de P&D voltado à área de geração eólica, em parceria com a USP. O objetivo é desenvolver um projeto conceitual avançado de dois sistemas flutuantes dotados de uma ou mais turbinas eólicas para operação em lâminas de água intermediárias e profundas. As unidades terão capacidade de geração de energia elétrica na faixa entre 5 MW e 12 MW e serão usadas para alimentação de sistemas submarinos ou plataformas.

Ao todo, as empresas petroleiras que operam no Brasil iniciaram mais de 600 projetos de pesquisa e desenvolvimento no ano passado. Do total investido, cerca de 74,5% veio dos cofres da Petrobrás, enquanto que a fatia restante de 25,5% teve origem nas demais operadoras que atuam no país, de acordo com dados apresentados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).