Hidrossanitária

CARTILHA INCENTIVA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM PROPRIEDADES RURAIS


A energia elétrica é um recurso fundamental e indispensável para diversas áreas produtivas da economia nacional e mundial. Uma dessas áreas é a agropecuária, que devido ao fácil acesso a máquinas e equipamentos e da expansão e modernização do setor, tem se mostrado um grande consumidor de energia elétrica. Por conta disso, um projeto piloto foi desenvolvido visando identificar os principais problemas energéticos e promover as melhorias na economia de energia das propriedades rurais.

O projeto, realizado através de uma parceria entre a Eletrobras/Procel e a Fundação Roge, sediada na cidade de Delfim Moreira, em Minas Gerais, e com apoio do Instituto de Recurso Naturais (IRN) da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), foi aplicado nas propriedades dos municípios das Terras Altas da Mantiqueira, sendo 99 delas com atividade de pecuária leiteira e sete propriedades de avicultura de postura. Com base nas informações coletadas durante o estudo, uma cartilha e um guia, voltados para estudantes, professores, pesquisadores e profissionais dos setores em que o Procel atua e que atuam no meio rural, foram desenvolvidos e lançados no dia 11 de outubro.

Para chegar aos resultados obtidos, a metodologia do projeto passou por duas etapas. De acordo com o engenheiro da Divisão de Eficiência Energética na Oferta da Eletrobras/Procel, Moisés Antônio dos Santos, “a primeira fase do projeto visou o levantamento dos equipamentos consumidores de energia elétrica, tanto de uso residencial como de uso agrícola, presentes na amostra de propriedade selecionada, assim como a aplicação de um questionário com o objetivo de levantar os hábitos de uso da energia elétrica pelos habitantes daquela região”. Segundo ele, na segunda etapa foram realizadas medições elétricas com o objetivo de comparar tais informações com as conclusões obtidas a partir dos dados levantados na etapa anterior.

Através das atividades realizadas, constatou-se que em aproximadamente 80% das propriedades rurais para fins de pecuária está presente o equipamento “picadeira”, que é usado para processar o alimento dos animais. Segundo o engenheiro, tais equipamentos apresentaram, em muitos casos, motores elétricos mal dimensionados, o que pode levar a baixos fatores de carga e potência, além de terem manutenção precária e de serem utilizados de forma incorreta, como, por exemplo, em locais com acúmulo de resíduos e instalações elétricas deficientes. Estas condições, explica ele, deixam evidente a necessidade de melhorar a eficiência energética dos equipamentos, uma vez que eles estão presentes em grande parte das propriedades de pecuária. As análises também revelaram que o consumo médio de energia elétrica em propriedades de pecuária leiteira é de 0,096 kWh por litro de leite produzido, sendo o custo médio da energia por litro de R$ 0,029. Já nas propriedades de avicultura de postura, o consumo ficou em 0,381 kWh por dúzia de ovos coletados, com o custo médio da energia por dúzia de R$ 0,091.

Além das análises técnicas, os agropecuaristas também foram entrevistados pelos pesquisadores em relação ao consumo racional de energia. Dentre os proprietários de pecuária leiteira, 55% conheciam os benefícios da economia de energia, contra 50% dos proprietários de avicultura de postura. Sobre o motivo pelo qual realizar melhorias de eficiência energética, a maioria dos proprietários considera a economia nos gastos o principal motivador. Dos 83% entrevistados, tanto do setor de pecuária de leite, quanto o de avicultura de postura revelaram o interesse em tornar suas propriedades mais eficientes.

Para Moisés Santos, o investimento em eficiência energética no setor rural é algo que deve ser estimulado. “As políticas públicas para a eficiência energética no meio rural devem ser intensificadas, fortalecendo ações educacionais, de conscientização do produtor, inserindo programas de incentivo e de desenvolvimento tecnológico de equipamentos eletro rurais, a exemplo dos que já existem para os equipamentos de uso residencial, por exemplo”, disse o engenheiro.

Através do estudo foi possível identificar algumas medidas de eficiência energética aplicáveis ao meio rural, tais como: evitar emendas de fios, ligações e instalações precárias, que além de aumentar o consumo de energia, podem ocasionar acidentes; manter motores limpos, sem poeira ou outros detritos; substituir lâmpadas incandescentes por lâmpadas mais eficientes e distribuí-las espacialmente de forma que a luz seja direcionada sobre os planos de interesse, no caso as gaiolas, áreas de ordenha e processamento de leito; adquirir equipamentos com dimensões precisas, pois um equipamento maior do que o necessário consome mais energia; manter sistemas de resfriamento e armazenamento de leite abrigados da luz solar e fontes de calor, em ambientes bem ventilados, entre outras.

A atenção com a eficiência energética deve ser incentivada também nas crianças e adolescentes e começar dentro das instituições de ensino. Por conta disso, de acordo com o gestor técnico da Fundação Roge, Roberto de Mattos, a cartilha elaborada será distribuída em escolas municipais da região onde foi realizado o estudo e para os alunos dos cursos técnicos de Controle Ambiental, Agropecuária e Hospedagem da fundação. Além disso, o guia também será distribuído a parceiros do projeto, instituições que se destacam nos estudos da eficiência energética do meio rural, sindicatos rurais da região como a EMATER e o IMA e aproximadamente 1,5 mil pessoas e instituições interessadas. Na internet, o manual está disponível para consulta neste endereço. E, para acessar o caso de sucesso, basta clicar aqui.


Fonte -Fonte: Procel Info / Tatiana Resende