BRASIL LIDERA MERCADO DE RENOVÁVEIS NA AMÉRICA LATINA

Cada vez mais, o Brasil está investindo em energias renováveis, e nos próximos anos o país deve se firmar como líder no mercado latino-americano de energias limpas. É o que indica um novo relatório publicado na última semana (11), que também fala sobre outros grandes mercados renováveis da América Latina, como Argentina, Chile, México e Colômbia.

Segundo o documento, em 2011 o país tinha 120.553 megawatts (MW) de energia instalados, com uma grande participação (80%) das energias verdes (considerando as grandes hidrelétricas). Cerca de 70% da energia é hidrelétrica, mas outras fontes alternativas, como a eólica, a solar fotovoltaica (PV), as pequenas centrais hidrelétricas e a biomassa estão crescendo, alimentando atualmente 10% do mix energético.

Fora o setor de grandes hidrelétricas, a capacidade instalada de energias limpas no Brasil deve crescer de 13.260 MW em 2012 para 38.015 MW até o final da década, subindo a uma Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) de 14%.

Por isso, algumas dessas fontes, como a eólica e a solar, devem ganhar cada vez mais destaque na produção energética nacional. A energia eólica, por exemplo, ainda que contribua com apenas 2.769 MW para o total de capacidade instalada, deve ser estimulada com planos do governo de explorar o mercado offshore, atraindo investidores e podendo chegar a 19.420 MW até 2020.

Mas é a energia solar PV que deve ter o maior crescimento em solo brasileiro, apesar de ainda ser uma das fontes renováveis menos desenvolvidas no país. O setor, que tem uma CAGR de 59%, deve saltar dos 31 MW de capacidade instalada em 2012 para 1.276 MW até o final da década.

“A energia solar fotovoltaica não é mais uma promessa, mas uma realidade. Ela já é utilizada no Brasil no Programa Luz para Todos em áreas rurais isoladas, em uma usina solar no Ceará e faz parte do projeto de estádios da Copa do Mundo como o Mineirão e o Maracanã”, comentou Edwin Koot, CEO da companhia holandesa SolarPlaza, no evento O Futuro Solar, realizado em São Paulo.

“Projetos e iniciativas não param de surgir. A chamada da ANEEL para projetos de pesquisa e desenvolvimento no setor atraiu 97 empresas, sendo 18 propostas aprovadas, totalizando 24,5MW e com um investimento total de quase R$ 400 milhões. Deve ocorrer também o primeiro leilão no mercado aberto dedicado exclusivamente à compra de energia solar fotovoltaico. Um verdadeiro marco”, acrescentou Koot.

Um dos fatores que devem estimular esse crescimento são as novas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para micro e mini geração distribuída. A partir daí, os consumidores de eletricidade (tanto pessoas quanto empresas) poderão gerar sua própria energia, utilizando geradores que trabalham junto com a rede de distribuição, um sistema que permitirá a troca de energia.

“A energia fotovoltaica é a que melhor se encaixa neste sistema, uma vez que aproveita telhados e coberturas de edificações em geral, e o Brasil tem uma grande incidência de irradiação solar”, observou o CEO da SolarPlaza. Assim, a placa solar capta a energia durante o dia, direcionando excedente para a rede. Durante a noite, o consumidor utiliza a energia da rede. O que sobrar vira crédito, descontado da conta de luz do consumidor.

Além disso, o valor das instalações de sistemas fotovoltaicos tem caído anualmente, contribuindo para a queda nos preços da energia solar. No Brasil, estima-se que o custo dessa energia esteja entre R$ 300/MWh e R$ 400/MWh, que já é inferior ao que consumidores residenciais pagam, por exemplo, em estados como Ceará, Tocantins, Bahia, Minas Gerais e Maranhão.

“Os preços estão entrando em colapso, a queda no preço da energia solar foi de 50% no último ano”, lembrou Koot. Por isso, estima-se que até 2030 haja uma onda de investimentos em geração distribuída no país de R$ 15 bilhões a R$ 49 bilhões, de acordo com as medidas que o governo adotar ou não.

No entanto, alguns obstáculos podem surgir nesse caminho de crescimento. A diminuição das tarifas de energia devido à renovação de concessões e corte dos encargos fiscais, pode mudar a competitividade da fonte solar em curto prazo, retardando também um leilão de energia solar.

“É claro que, com a redução das tarifas, a energia solar perde um pouco a competitividade, mas as condições de inserção permanecem válidas, porque há uma tendência estrutural de queda do custo dos painéis fotovoltaicos”, declarou Amilcar Guerreiro, diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

“Mas também é verdade que o desenvolvimento do mercado e de novas tecnologias também reduz os custos, há uma redução estrutural, mas talvez não no nível que vemos hoje”, concluiu Guerreiro.


Fonte -Instituto CarbonoBrasil

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