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Adaptabilidade: digitalização, transformação ágil e trabalho remoto são lições da pandemia para o futuro


Adaptabilidade digitalização, transformação ágil e trabalho remoto são lições da pandemia para o futuro
Imagem: firjan.com.br

Ainda não é possível prever a dimensão exata do futuro da indústria pós-pandemia, mas já se tem certeza de que muitas das transformações ocorridas durante a crise vão permanecer. Para discutir essas novas tendências, a Casa Firjan contou com empresários e pesquisadores, no “Diálogos de Adaptabilidade – mudanças que vieram para ficar”, para traçar uma fotografia o mais focada possível do que está por vir e apresentar a pesquisa Adaptabilidade da Indústria Fluminense, com dados da Sondagem Industrial, realizada no 2º trimestre de 2020 pela Firjan.

Mediado por Julia Zardo, gerente de Ambiente de Inovação da Firjan, o evento on-line reuniu os irmãos Cláudio Cariello e Kenia Cariello, da CCM; os fundadores da Insider, Carolina Matsue e Yuri Gricheno; e os pesquisadores da Firjan Joana Siqueira e Antonio Fidalgo, que falaram sobre agilidade de transformação, colaboração entre pessoas e empresas, inovação, desafios e digitalização, entre outras realidades vivenciadas por eles nos últimos meses.

No mercado há 30 anos, a CCM teve que se reinventar quando a cidade de Nova Friburgo, onde atuam, fechou tudo por conta da pandemia. Para começar, a empresa, que produz moda esportiva e casual, passou a fazer EPIs para não ficar parada, botou funcionários em home office e digitalizou a empresa de forma mais agressiva para trabalhar remotamente, contactar clientes e vender suas coleções.

 

Agilidade é necessária

Para Claudio Cariello, alguns ensinamentos vieram pra ficar, e o principal deles é a agilidade de transformação das empresas: é preciso ter uma equipe atenta aos movimentos e com capacidade de se movimentar e mudar o mais rápido possível. Na empresa, os irmãos também pretendem manter os eventos virtuais de apresentação de coleção, uma vez que presencialmente reuniam cerca de 70 pessoas e nos encontros virtuais alcançam 250 clientes. Kenia também acredita na digitalização e aposta que “o fututo do trabalho é pautado em gente”, destacando nesse contexto as mudanças nas relações e a preocupação com as pessoas.

Para Joana Siqueira, coordenadora de Pesquisas Institucionais da Firjan, as mudanças devem ficar por conta dos efeitos da pandemia, que ainda vão perdurar por algum tempo. Por isso, as indústrias precisam manter as medidas tomadas e vislumbrar formas mais eficientes de funcionamento dentro do contexto. Ao ressaltar que a adoção do trabalho remoto, mesmo que em menor número, e a aceleração digital vieram pra ficar, a pesquisadora ressaltou que a pandemia apareceu como uma catalizadora de tendências que já vinham sendo apontadas e se intensificaram nesse momento.

Gricheno, por sua vez, citou Charles Darwin – “não é o animal mais forte que sobrevive, mas é o que se adapta mais rápido” – para fazer um paralelo com as empresas. Por conta disso, contou que, logo no início da pandemia, as vendas de suas under shirts caíram, uma vez que as pessoas não saíam mais para trabalhar e, portanto, não precisavam mais delas. Sendo assim, eles criaram um kit home office, de cuecas e camisetas, além de começarem a produzir produtos, como máscaras, com a funcionalidade de proteger as pessoas contra o coronavírus, usando tecido com tecnologia antiviral.

Segundo Carolina, a Insider foi a primeira marca no Brasil a lançar essa linha de produtos antivirais, o que contribuiu para a empresa dar a volta por cima na crise e recuperar o patamar de vendas anterior à pandemia. Para o ano que vem, eles pretendem montar um modelo misto de trabalho. Após ouvir os funcionários, entenderam que eles preferem trabalhar parte do tempo de forma remota e parte de forma presencial, de acordo com as necessidades do time.

 

Laboratórios adaptados

Instituto SENAI de Inovação em Química Verde (ISI QV), da Firjan, precisou adaptar os seus laboratórios em pouquíssimo tempo, para enfrentar os desafios exigidos. Segundo Fidalgo, biomédico e doutor em Ciências pela Fundação Oswaldo Cruz e pesquisador-chefe do ISI QV, a resposta foi a criação, em cerca de três meses, do teste RT-CPR, um desenvolvimento que, sob o ponto de vista científico, demora mais de dois anos para se concretizar. O trabalho enfrentou diversos problemas, que foram desde a questão da capacidade então instalada até a transformação da equipe para fazer o diagnóstico em poucos dias, além da superação da escassez de insumos para a realização dos produtos, em falta em quase todo o mundo.

“O primeiro sentimento foi o vazio por não conseguir comprar o que precisava. Isso mostrou a fragilidade da nossa cadeia de fornecimento para insumos de saúde, de biotecnologia. Por outro lado, esse foi o maior motor, o que mais direcionou a inovação. Nesse período, foram realizados três ou quatro projetos contratados para baratear testes já disponíveis, torná-los mais rápidos e realizar novas formas de diagnósticos”, contou.

Clique aqui para assistir à íntegra do debate na plataforma de conteúdo da Casa Firjan.

Acesse aqui a íntegra da pesquisa Adaptabilidade da Indústria Fluminense.

 

Fonte: www.firjan.com.br

Imagem: firjan.com.br