Legislação

A ENGENHARIA COMEÇA A SE ADAPTAR À SUSTENTABILIDADE


Os eventos internacionais sobre meio ambiente e biodiversidade ocorridos nas duas últimas décadas, representaram um importante passo para a racionalização da interação humana com o meio ambiente.

Os primeiros eventos se limitaram à diplomacia, enquanto os mais recentes elaboraram protocolos de intenções para o desenvolvimento sustentável, que estabelecem metas para a redução na emissão de poluentes e gestão de ecossistemas e recursos naturais.

O próximo passo será transcender o discurso e implementar uma agenda, desenvolvendo políticas públicas para endereçar essas metas. Essas políticas vão finalmente instituir uma nova legislação ambiental para cada país, onde estarão quantificados os desafios de cada setor produtivo.

A agenda da sustentabilidade vai requerer mudanças na matriz energética, nos processos industriais e nas práticas corporativas. Considerando as especificidades desses desafios, os profissionais de engenharia serão importantes protagonistas na implementação das práticas sustentáveis.

Os engenheiros terão como tarefa principal conectar a academia com as corporações, usando os avanços científicos para construir e viabilizar as tecnologias limpas.

Desta forma, essa agenda passa pelo aprimoramento nos processos de formação, principalmente nas escolas de engenharia. Para apresentar ao mercado, profissionais com esse novo perfil, essas escolas deverão conduzir profundas revisões curriculares.

Nesse novo contexto, a sustentabilidade deverá ser um exercício constante em sala de aula e presente em grande parte das disciplinas profissionalizantes.

Diversos outros elementos deverão ainda ser lapidados para que o engenheiro possa exercer um papel transformador e catalisador no paradigma da sustentabilidade, principalmente em sua atuação dentro das corporações como:

ética, cidadania, liderança, criatividade e pensamento inovador, visão estratégica e empreendedora. Esse novo engenheiro deverá ainda ter uma compreensão global dos processos industriais e atuar na adequação das soluções técnicas aos vínculos das legislações ambientais.

Diversos temas associados ao meio ambiente deverão ser incorporados às grades curriculares, associados à infraestrutura, matriz energética, ocupação dos espaços urbano e rural, mobilidade de pessoas e cargas, uso e reciclagem de materiais, gestão de recursos naturais e resíduos industriais, dentre outros.

Ensinar práticas de construção para um engenheiro civil deve dar a devida atenção a sustentabilidade das edificações e ao manejo de resíduos. O engenheiro eletroeletrônico deverá ter a percepção das fontes renováveis de energia e de sistemas elétricos eficientes. O engenheiro mecânico precisará ter conhecimento de motores híbridos e novos combustíveis.

O engenheiro químico deverá ter controle sobre os processos industriais e fazer a gestão apropriada dos resíduos. Além disso, muitas das soluções técnicas envolverão a gestão do conhecimento em temas interdisciplinares, e os engenheiros deverão estar preparados para liderar equipes de profissionais com formação heterogênea.

As engenharias sempre foram importantes agentes no desenvolvimento da humanidade, sendo identificadas intrinsicamente com a exploração desenfreada dos recursos naturais e degradação do meio ambiente.

Agora as engenharias serão convocadas a desempenhar um novo papel, atuando no desenvolvimento de novas tecnologias sustentáveis. As escolas de engenharia devem introduzir o conceito de reciclagem em seus conteúdos programáticos.


Fonte -Fonte: Brasil Econômico – (Francisco Carlos Paletta / João Francisco Justo Filho