As idéias expressas nos textos do "Gestão S.A." não são de responsabilidade do SINDISTAL, e, sim, dos autores que os assinam.
O texto a seguir é de autoria de Renato Cuenca - Mestre em administração pela Puc-Rio e executivo do mercado de telecomunicações.
A liderança e as redes sociais: uma abordagem relacional
A função gerencial, ao se deparar cotidianamente com os dilemas que a administração contemporânea impõe, considerando a busca incansável da superação e a tomada frenética de decisões, assume um papel em prol do exercício de uma arte de relacionamento.
A gestão, em seu capítulo do processo da liderança, ganha um viés relacional intensificado à medida que passa a ser compreendida como sendo a ocorrência de transações mutuamente gratificantes entre líderes e seguidores, dentro de um determinado contexto situacional. Somente existe se houver interação. Uma integração plena entre o líder, o seu seguidor e a situação em que essa dupla se insere, formando um verdadeiro tripé relacional.
O contexto da situação, percebendo a dinâmica atual das organizações contemporâneas, é global, mutável, em movimento e complexo, sendo ainda resultado de uma ação que se subordina à situação e a interações políticas, sempre aquecidas por múltiplos interesses. A organização que sustenta uma liderança relacional, mais democrática em seus princípios e com líderes conscientes da necessidade de adaptar seu estilo de gestão à situação na qual está inserido, integrando-se fortemente aos seus liderados, apresenta-se mais preparada para lidar com os desafios da gestão administrativa. Isso ocorre uma vez que tal organização cria internamente uma dinâmica própria de adaptação ao meio, tanto do ponto de vista de sua estratégia, quanto do de seus colaboradores e gestores.
Essa mesma organização e seus líderes, em seu relacionamento com o meio, possuem compromissos com terceiros, em particular com consumidores, comumente mais exigentes, pois possuem mais acesso às informações e, conseqüentemente, uma maior possibilidade de conhecimento, gerando uma lateralidade provocativa em seu pensamento crítico. Tratam-se de consumidores mais antenados e com uma sede ímpar por falar e trocar experiências. Esses consumidores, atualmente, apresentam-se em rede, alinhados no propósito de reportar ações, situações, pensamentos e visões únicas acerca das organizações com as quais lidam ou potencialmente lidarão. Desejosos por se comunicarem de forma imediata e prática, intensificam o uso de canais digitais de relacionamentos que, por sua vez, tornam-se mais diretos e contumazes.
A emergência de espaços sociais digitais traz efeitos na forma como as organizações, seus líderes e seus processos passam a lidar com os consumidores, uma vez que essas redes sociais mostram-se como mais uma alternativa de relacionamento entre organizações e consumidores. Não dar ouvidos a essa nova situação seria o mesmo que não alimentar o poder de evolução e adaptação do elemento humano e das organizações, que buscam, com galhardia e ousadia, a vantagem competitiva que norteia e sustenta o seu negócio.
A vantagem competitiva das organizações passa perto, e não ao largo, da possibilidade de se relacionar com consumidores por meio de lideranças inovadoras que desejem explorar canais alternativos e digitais de relacionamentos. Dar atenção, por sua vez, é assegurar a evolução de uma organização pautada pelo relacionamento, tanto por conta de um olhar interno, por intermédio de uma liderança relacional, quanto através de uma lente externa, por meio da interação com as redes sociais em busca da essência da lógica de seus consumidores, a fim de diagnosticar, analisar e dar um salto qualitativo em sua função corporativa.
A liderança relacional e as redes sociais devem trazer ao debate corporativo mais recente o surgimento de organizações que, além de sua atenção interna aos processos, se voltem para relacionamentos sustentados. Dinâmicos e humanos.