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INADIMPLÊNCIA FAZ CORTE DE ENERGIA ELÉTRICA CRESCER 94%

Conviver com o pior de dois mundos – a tarifa alta e a recessão econômica – fez a inadimplência crescer no Brasil e, consequentemente, aumentar o número de cortes de energia nos prazos fixados em lei. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), eles cresceram 93,75% no Brasil no primeiro semestre do ano passado frente o mesmo período de 2014, passando de 1,6 milhão para 3,1 milhões.

A situação se agravou a ponto da Abradee solicitar à Aneel um prazo maior para as empresas realizarem os cortes, meio mais eficaz para evitar a inadimplência. “Fizemos o pedido porque as empresas estavam movimentando grandes recursos para conseguir cumprir o prazo de corte, que é de 45 dias de atraso. Seria bom para as empresas e para os consumidores, que teriam mais tempo para acertar a situação, mas a Aneel não aceitou”, diz o presidente da entidade, Nelson Fonseca Leite.

Segundo a Abradee, a inadimplência de 30 dias das contas de luz cresceu 17% no Brasil entre 2014 e 2015, mas se forem considerados apenas os usuários das concessionárias, a estimativa do presidente é que o número chegue a mais de 70%. A região Sudeste, de acordo com o mesmo estudo, foi a que mais contribuiu para o avanço nacional dos calotes em números absolutos, crescendo 31% (de 9% para 11,9%). Não por acaso, foi onde as tarifas mais sofreram reajuste, como os 50% de Minas.

Para Leite, uma conjunção de fatores explica esse aumento: a retração econômica, que trouxe o desemprego e a inflação, somou-se à crise hidrológica e o aumento das tarifas que estavam represadas. “A crise hídrica teve início em 2012. Foram três anos com poucas chuvas, térmicas sendo ligadas, mas os aumentos só vieram em 2015”, avalia. Agostinho Pascalicchio, professor de economia e finanças da Universidade Mackenzie (SP), diz que a tentativa do governo de manter o preço da energia elétrica baixo até 2014 “comprometeu o equilíbrio econômico-financeiro das empresas. E esse passivo ainda existe. Mesmo que as bandeiras caiam, as tarifas de energia continuarão altas”.

Segundo Flávio Calife, economista da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), em 2015 a inadimplência mudou. “Até o ano passado, grande parte da inadimplência era de tomada de crédito e compras de produtos. Agora, a inadimplência chegou nas contas do dia a dia, como a de luz”, diz Calife.

Crescimento

Problema. Segundo a Boa Vista, em 2013, as despesas correntes, como conta de luz, água, aluguel, representavam 10% da inadimplência brasileira. Em 2015, elas alcançaram 15% do total.

Fonte: O tempo