FIRJAN ALERTA SOBRE CRISE HÍDRICA: SITUAÇÃO ESTÁ PIOR DO QUE NO ANO PASSADO

Atento ao cenário de crise hídrica no Rio de Janeiro, onde os reservatórios da bacia do Rio Paraíba do Sul estão com 5,4% de seu volume, o Sistema FIRJAN divulgou na segunda-feira, 26, o estudo ‘Diretrizes para o aumento da segurança hídrica da Região Metropolitana do Rio de Janeiro’. Há um ano, o volume estava em 7,9%, considerado, então, o pior da história.

O estudo alerta para a situação atual e compila propostas para diminuir os riscos de uma severa crise hídrica no futuro. São ações e investimentos que precisam ser postos em prática para evitar o racionamento. Destaca-se que, se nada for feito, a projeção é de falta d’água em 2035, quando a demanda para o consumo urbano será superior à oferta projetada.

Medidas

É necessário viabilizar e operar novas fontes de abastecimento para a Região Metropolitana do Rio, que é totalmente dependente da bacia do Rio Paraíba do Sul. Para isso, é fundamental priorizar e acelerar a cobertura de coleta de esgoto, para sair de 63% para 90%, e ampliar o índice de tratamento de 37% para 70% através da construção de redes de coleta de esgoto e estações de tratamento.

É preciso controlar a expansão urbana para evitar o avanço de construções em áreas de proteção ambiental que não possuem abastecimento de água e esgoto. Para isso, é necessário maior integração entre as prefeituras e o Governo estadual em relação à Política de Recursos Hídricos.

Outra sugestão é a exploração controlada de água subterrânea como, por exemplo, do Aquífero Piranema, localizado em Seropédica, um dos maiores do estado do Rio, que poderia atender a demanda local. Investir em dessalinização da água do mar ou salobra também é outra solução apontada. O estudo mostra que ela pode ser viável economicamente, por exemplo, na foz do Rio Guandu.

Fonte potencial para o abastecimento para fins não potáveis é a água de reúso das Estações de Tratamento de Esgoto (ETE). As estações no entorno da Baía de Guanabara devolvem ao mar 630 mil litros por minuto (10,5 m3/s) de água tratada que poderia ser fornecida, por exemplo, para indústrias da região. Essa solução já é aplicada com sucesso no ABC Paulista.

É necessário aumentar a oferta de água através de fontes alternativas e reduzir o desperdício e a demanda através de campanhas de conscientização. É preciso modernizar e controlar melhor a rede de distribuição para diminuir as perdas. Hoje, 37% do volume de água tratada se perde por problemas no sistema e não chega ao seu destino.

A água é um insumo fundamental para a indústria. A perspectiva de escassez inibe o crescimento econômico e afasta a possibilidade de atração de novos investimentos para o estado, que trazem mais empregos e renda. A indústria está fazendo sua parte na otimização dos recursos hídricos e pretende fazer mais. No início do ano, uma pesquisa da FIRJAN revelou que nos últimos dois anos, 56,7% das empresas já adotaram medidas para reduzir o consumo de água. Essas ações resultaram numa redução do uso desse insumo em 25,6%.


Fonte -Fonte: Firjan