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Construção Civil

CRIAÇÃO DE BAIRROS SUSTENTÁVEIS PODE SER UMA ALTERNATIVA ATRAENTE

Projetos que adotam práticas de sustentabilidade vão gerar mais oportunidades para o setor de construção. Quem garante é Nilson Sarti, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CMA/CBIC), durante série de palestras sobre o tema, no 88º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), encerrado em Foz do Iguaçu (PR), na semana passada. “A criação de bairros sustentáveis é um alternativa que pode chamar a atenção de construtoras, gestores públicos e moradores preocupados com qualidade de vida”, diz.

Iniciativas na Alemanha e no Brasil mostram soluções urbanísticas que reduzem o uso de automóveis pelos moradores, exploram energias renováveis e estimulam o desenvolvimento econômico do entorno. Em Pelotas (RS), a 250 km de Porto Alegre, o bairro Quartier, com obras já iniciadas, promete adotar o reúso de água da chuva e ter painéis solares nas moradias.

No bairro em construção Bahnstadt, na cidade universitária de Heidelberg, a 90 km de Frankfurt, uma estação de trem abandonada está se transformando em um mix residencial, comercial, industrial e hoteleiro, com investimentos de € 2 bilhões. “A região já tem o metro quadrado mais caro da cidade e usa energia totalmente renovável”, diz o alemão Mike Letzgus, coordenador do Instituto Fraunhofer, organização com sede em Munique que dá apoio técnico a empresas interessadas em desenvolver projetos na área de inovação.

A construção do bairro, iniciada em 2009, se espalha em uma área de 116 hectares. Creches, restaurantes e um complexo com 12 salas de cinema devem ser inaugurados no próximo ano. Espera-se que, quando estiver totalmente finalizado, em três anos, Bahnstadt ofereça moradia para cinco mil pessoas e sete mil locais de trabalho. Hoje, abriga 2,5 mil moradores em 1,9 mil casas – 70% do total trabalham em empresas instaladas na região.

O projeto tem o apoio de investidores, como o empresário americano Henry Jarecki, que aplica cerca de € 60 milhões em um complexo de laboratórios de ciências e tecnologia batizado de SkyLabs. Outros apoiadores incluem fundos, empresas de seguros e associações municipais de moradores.

Segundo Letzgus, um dos destaques do bairro é a adoção do modelo de construção com o máximo de eficiência energética, conhecido como “casas passivas”. Mais difundidas na Europa e nos EUA, as unidades oferecem uma redução de 80% no consumo de energia, ante edificações tradicionais. Para isso, agregam recursos como janelas com vidros especiais, para melhorar aspectos térmicos e de iluminação natural; material isolante que garante a temperatura interna no ambiente, e aquecimento de água por coletores solares.

Em Pelotas, o escritório de engenharia Joal Teitelbaum e a Terralune Participações já começaram as obras de terraplanagem do bairro Quartier, que adota o conceito de uso compartilhado de prédios comerciais, residenciais e de serviços, em uma área de 30 hectares. A entrega está prevista para 2019. O investimento na urbanização é avaliado em R$ 40 milhões e deve gerar um Valor Geral de Vendas (VGV) acima de R$ 1,8 bilhão, ao longo de dez anos.

O local foi projetado para ganhar o selo Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) para o desenvolvimento de bairros, um padrão internacional de certificação e orientação ambiental que segue princípios de crescimento planejado, urbanismo sustentável e edificações “verdes”. Fará reúso de água da chuva, paisagismo com plantas nativas e a instalação de painéis solares.

Segundo o diretor do escritório Joal Teitelbaum, Cláudio Teitelbaum, a cidade de mais de 300 mil habitantes foi escolhida para sediar o empreendimento por conta do seu histórico de crescimento. “Localizada no sul do Estado, ocupa a quarta posição em potencial de consumo e tem a terceira maior população do Rio Grande do Sul.”

O projeto é assinado pelo arquiteto Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná. Inclui um bulevar central com 30 metros de largura e 400 metros de extensão, cinco quilômetros de ciclovias, onze hectares de área verde e o conceito de “walkhability”. “A ideia é que as pessoas não precisem andar mais de 400 metros de suas casas para chegar a lojas ou ao trabalho.”

Segundo Teitelbaum, todos os empreendimentos seguirão normas de eficiência energética na construção, inclusive com 14 hectares de telhados verdes.

Fonte: Valor Econômico