EMPRESAS FLUMINENSES PROMOVEM AÇÕES DE REÚSO DE ÁGUA

Diante da maior estiagem das últimas décadas, a indústria fluminense tem adotado medidas voltadas à racionalização do consumo e à reutilização de água. De acordo com levantamento realizado pelo Sistema FIRJAN, 56,7% das empresas do estado realizaram ações para reduzir o consumo nos últimos dois anos. Nesse período, o uso de água pela indústria diminuiu, em média, 25%.

Um bom exemplo é a fábrica da Hyundai instalada em Itatiaia, no Sul Fluminense. Desde sua inauguração, em 2013, a empresa utiliza um poço semiartesiano e não depende do abastecimento público. Com cerca de 350 funcionários, a fábrica realiza captação da água da chuva e possui uma estação de tratamento de efluentes (ETE).

O programa de reúso da empresa acaba de ser ampliado. “Nós descartávamos no Rio Campo Belo toda a água tratada em nossas ETE’s. Com o projeto de reúso, passamos a direcionar este efluente tratado para uma lagoa que também recebe a água de chuva que cai nos telhados da fábrica”, explica Guilherme Turon, engenheiro ambiental da Hyundai.

Nessa lagoa, há um sistema de captação composto por filtros de areia, carvão ativado e um mecanismo de cloração. Armazenada em um tanque industrial, a água tratada é utilizada em funções variadas: lavagem de máquinas, descargas, limpeza de chão, irrigação de jardim e resfriamento de compressores. A empresa tem celebrado as vantagens econômicas do reúso. “Além de preservar o meio ambiente, nossa intenção é que, com essas economias, não sejamos obrigados a reduzir funcionários devido aos problemas econômicos atuais. Embora seja realizada a captação de água de um lençol freático, sabemos que a reposição é lenta, e por isso a usamos racionalmente. As lagoas estavam previstas no projeto da fábrica; desde o início, nossa intenção é reutilizar a água”, destaca Turon.

Medidas semelhantes foram promovidas pela fábrica da Bayer em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Atualmente, 85% da Fábrica da Hyundai, em Itatiaia água consumida pela empresa provêm do reúso. A economia chega a 80 mil m³ de água potável por mês, volume suficiente para suprir o consumo de cerca de 23 mil pessoas. Graças às medidas, quase quatro bilhões de litros de água potável deixaram de ser consumidos em oito anos, segundo dados da empresa.

“Além da modernização do sistema de osmose reversa, que é parte essencial do tratamento da água captada do Rio Sarapuí, instalamos um reservatório que nos dá maior autonomia. Temos água captada e tratada de reserva para alimentar as fábricas, em caso de aumento na demanda ou paralisação da captação, por conta de manutenções programadas”, explica Ricardo Amaral, gerente de Energias da Bayer.

Do município de Três Rios, no Centro-Sul Fluminense, vem outro bom exemplo. Na empresa TTR Vidros, o uso da água é imprescindível para o funcionamento de quase todas as máquinas. Um equipamento de polimento, por exemplo, consome 40 mil litros por mês. Toda a água que escorria pelas máquinas passou a ser enviada, através de canaletas, para uma estação de tratamento construída dentro da empresa. Totalmente computadorizada, a estação tem capacidade para reutilizar até 160 mil litros de água por hora.

“Calculamos que nossa conta seria cerca de cinco vezes maior se não reutilizássemos a água, devido à sua importância no processo de produção da empresa. A estação é um investimento altamente rentável. A iniciativa também levou muitos dos nossos funcionários a repensar o próprio consumo”, explica Vinicius Marques, diretor da TTR Vidros.

FIRJAN SUGERE MEDIDAS DE ENFRENTAMENTO DA CRISE HÍDRICA AO GOVERNO ESTADUAL

O Sistema FIRJAN entregou ao governador do estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, uma carta com sugestões de medidas para minimizar as consequências da crise hídrica e preparar a população e as indústrias para o enfrentamento de um período de escassez. A Federação destacou que tem representado e apoiado as indústrias fluminenses, desde o início das discussões, na busca de soluções que minimizem os impactos da redução na disponibilidade de água em suas atividades.

As medidas propostas ao governador são: aceleração das ações para melhorias dos Sistemas de Abastecimento de Água e de Coleta e Tratamento de Esgoto; criação de condições diferenciadas e incentivadas para a outorga e uso da água subterrânea pelas indústrias do estado e para a implementação de projetos de dessalinização de água do mar; e promoção do estabelecimento de parcerias público-privadas ou outro modelo de negócio que viabilize técnica e financeiramente o fornecimento de água de reúso de Estações de Tratamento de Água ou de Esgoto para a indústria.


Fonte – Fonte: FIRJAN