Legislação

COPA-2014: MARACANÃ CORRE ATRÁS DO SELO VERDE


Mesmo estando em obras, o Maracanã já disputa seu primeiro título: o de certificação ambiental.

Para atingir o objetivo, a Empresa de Obras Públicas do estado (Emop) terá de cumprir uma série de exigências durante a reforma do estádio, como o controle da poluição.

Quando estiver tudo pronto — a Emop estima o fim das obras para dezembro de 2012 —, o Maracanã terá uma redução de 30% no consumo de energia elétrica. E de 50% no de água, graças aos sistemas de captação das chuvas e controle dos desperdícios.

O cuidado ambiental é uma exigência do BNDES, que deverá investir R$ 400 milhões na reconstrução. O banco determinou que todos os estádios da Copa do Mundo de 2014 tenham a certificação. Caso contrário, os repasses não serão feitos.

O Maracanã seguirá o sistema Leed (sigla em inglês para liderança em energia e design ambiental), do Green Building Council Brasil (GBC). Para Ícaro Moreno, presidente da Emop, isto significará um aumento dos custos em cerca de 20%, uma vez que a certificação exige mais cuidados e tecnologia. O projeto executivo da obra será apresentado no próximo dia 17, em Brasília.

— A tendência é que todas as obras públicas passem a ter essa $ção ambiental. O Maracanã vai dar o exemplo de qualidade e pontualidade. Estamos atuando desde a demolição. Tudo foi reciclado. Até o fim do mês, todas as exigências ambientais estarão sendo cumpridas. Vamos ganhar o certificado, que será a primeira conquista do estádio — disse Ícaro.

A GBC, no entanto, alega que ainda não firmou o contrato de certificação com o Maracanã, diferentemente de outros cinco estádios que sediarão jogos da Copa (em Manaus, Brasília, Cuiabá, Belo Horizonte e Salvador) e do Olímpico, do Grêmio de Porto Alegre. A Emop reconhece que toda a documentação ainda está $enviada à GBC.

Felipe Faria, gerente de relações governamentais e institucionais da ONG, explica que o contrato pode ser assinado mesmo depois do início das obras.

— A certificação traz uma série de benefícios — disse Felipe, citando a redução de 30% em energia, até 50% de água, 60% de resíduos e 30% nas emissões de gases de efeito estufa. — Além disso, garante a redução dos custos operacionais.

Inaugurado para a Copa de 1950, vencida pelo Uruguai, o estádio será totalmente modernizado. A água da chuva captada pela cobertura será usada para irrigação do gramado e alimentará os banheiros, que contarão com torneiras inteligentes e descarga ecológica, com duas opções de acionamento. O sistema de drenagem do campo armazenará água para novas regas.

Haverá aquecimento solar para as duchas dos vestiários e utilização de lâmpadas econômicas. Os equipamentos elétricos serão os mais eficientes do mercado. Todas as cadeiras serão novas, dobráveis.

As antigas serão doadas para outros estádios da Região Metropolitana. Uma sala de controle centralizará em tempo real as informações de todos os sistemas do estádio, permitindo melhor operação.

Durante as obras, estão previstos controle da erosão e sedimentação do solo; lavagem das rodas dos caminhões, que não carregarão sujeira para as ruas da cidade; poço de armazenamento de água da chuva; proteção de bueiros; aspersão de água para diminuir a poeira e o material particulado e proteção de árvores com cercas e telas. As sobras de material terão de ser recicladas.


Fonte -Fonte: Extra